terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Sinistralidade Automóvel

Muito se dita sobre sinistralidade automóvel e prevenção rodoviária. Criam-se fundações, afectam-se meios de prevenção e delineam-se estratégias para estancar aquilo que eu acho impossível: os acidentes na estrada.

O poder político faz da luta contra a sinistralidade uma bandeira de auto-promoção, capaz de desviar a atenção de outros problemas, também graves, do nosso Portugal. Ora isto deixou de ser interessante. Ano após ano, invocam-se o desrespeito pelo código da estrada, a má construção de vias, a negligência dos condutores e, ninguém até hoje, se debruçou sobre a possibilidade de serem os próprios automóveis a principal causa da sinistralidade.

É óbvio que se não existissem carros não havia acidentes. Mas também acho que o ser humano é imaginativo ao ponto de criar alternativas para ter os seus próprios acidentes. Conhecemos sempre alguém que se vangloria por ter mandado um carro para a sucata e ter saído ileso do acidente e, ainda por cima, com uma elevada taxa de alcoolemia. Fantástico.

Mas voltemos ao assunto principal. Na minha opinião, a principal razão para a sinistralidade é a inovação automóvel. Os principais construtores norteiam os requisitos de produção à necessidade de reduzir consumo e à melhoria do padrão de serviço que se verifica no maior conforto dos nossos automóveis.

Na verdade, creio ser este o principal factor de sinistralidade automóvel: o conforto. Paradoxalmente ao desenvolvimento dos sistemas de travagem e suspensão, que tornam a condução mais segura e regular, existe a outra face da moeda, caracterizada por uma condução mais automatizada. Qualquer viatura no mercado possui controlo de velocidade, limpa vidros automáticos, rádios com regulação sonora automática, bancos com regulação automática, e muito mais, facto que exige do condutor apenas que este segure o volante, pelo menos por enquanto.

Há hoje no mercado um conjunto de soluções que passaram a tornar a nossa condução mais monótona e cada vez mais negligente. Quanta e quantas vezes, distraídos pelo conforto é que verificamos que afinal vamos a 200 kms/h!!? Aliás, não será a primeira vez que, graças ao AC nos sentimos monótonos e ensonados.

Por hoje ficamos por aqui. A sinistralidade é o resultado do muito conforto das nossas viaturas.

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